Pular para o conteúdo principal

Precisa-se de poetas


A.N.Ú.N.C.I.O

Precisa-se de poeta.
É de extrema importância que saiba olhar para o céu e entender que o dia nasce porque as aves começam a tarefa de cantar. 
É preciso que saiba ler a alegria das crianças e a honestidade com a qual elas enfrentam a vida.

É interessante que tenha experiência em desastres financeiros e amorosos. E, com isso, larga experiência em recomeços.

Precisa-se de poeta
Que ouça e reconheça infinitos tons de bom dia
Que saiba como agradecer uma tarde que passa
E que, mesmo mergulhado em grandes tristezas, não deixe de reparar quando o véu da noite cai sobre as nossas casas.

Precisa-se de poeta
Para embalar o sono daqueles que sonham
Para fazer as preces daqueles que amam
Para celebrar toda sorte de lindas bodas

É importante que ele saiba o que o tempo faz com a pele e com os cabelos.

É importante que o poeta esteja sempre querendo alguma coisa:
Pegar um tem, dar um abraço, tomar um café.
Ao contrário do que se pode pensar - um poeta não para.
Seus olhos estão sempre a procura do extraordinário.

Precisa-se de poetas - muitos poetas - que ajudem a ver a vida começar e findar nos hospitais e noutras plataformas de chegada e partida.

Precisa-se de poetas nas praças, para testemunhar o nascimento e a morte de alguns amores.

Precisa-se de poetas às mesas dos restaurantes e das casas, para que eles exultem diante dos pequenos diálogos e das grandes promessas.

Precisa-se de poetas para ver a chegada da primavera, o barulho de chuva no telhado, os pássaros voando e fazendo festa.

Precisa-se de poetas, e isso é muito importante, que prestem atenção nas flores, na delicadeza com que elas estão no caminho.

Precisa-se de poetas que vejam o mundo explodir de beleza ao seu redor.

Precisa-se de poetas quando tudo parece perdido e sem sentido.

É urgente.
PRECISA-SE DE POETAS!

(De Sibéria de Menezes Carvalho)

#LuzSobrePoesia #PrecisaSeDePoetas #ÉUrgente#VocêÉLuz

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS-UM-POUCO-VELHAS

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS “UM POUCO VELHAS”

“Sujo atrás da orelha,
Bigode de groselha,
Calcinha um pouco velha
Ela não tem” (Chico Buarque/Edu Lobo. Ciranda da Bailarina)

A partir desses versinhos, lindamente interpretados por Adriana Partimpim (heterônimo da Adriana Calcanhoto para crianças), surgiu, numa roda de meninas-não-bailarinas, onde, felizmente, eu estava, um assunto que me chamou atenção. “Isto merece um texto!”. Ei-lo! A pergunta é a seguinte: o que fazer com calcinhas velhas? Daquelas mesmo que estás pensando nessa sua cabecinha, aquelas... que todas nós tivemos, temos e teremos, em algum momento da vida – se Deus quiser! Calcinhas um pouco velhas sempre estarão nas nossas gavetas. E como teremos rituais e alguma dificuldade para jogá-las fora!
Conversa vai, conversa vem... fui ouvindo depoimentos tão curiosos que me arrepiei ao pensar no quanto estávamos desfrutando de tamanha intimidade naquele momento. Eu também tive a minha hora de confessar o que costumava fazer com as c…

A DOR DO OUTRO

Por Sibéria de Menezes
É comum afirmar que a grama do vizinho é sempre mais verde. Aí o outro é paragem e delícia. Mas há um outro. Outro que ignoramos, outro a quem queremos ainda mais mal. O outro por quem não nos compadecemos. Por quem não exercemos compaixão: aquele que sofre. Aquele que carrega uma dor. Porque a dor do outro não é desejada como é a grama do outro. Porque a dor é um substantivo abstrato. Porque precisamos sentir para saber dimensionar a dor.
Para quem já sentiu uma dor, qualquer delas, talvez seja um pouco mais fácil colocar-se no lugar do outro. Há, porém, o esquecimento da dor. Há quem mesmo tendo passado por experiência semelhante a do outro, ainda o julgue, ainda ridicularize a dor pela qual o outro passa.
(Com)paixão, capacidade de sofrer a dor do outro, dimensionar a dor do outro, entender que o outro precisa de suporte. É mais que o ato de (com)padecer-se do outro, porque a compaixão deve ir além do lamento e da contemplação da dor alheia.
Cristo pregou em todo…