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Mostrando postagens de Agosto, 2016

HOJE EU SOU RIO

Sou rio que não quer ser mar. Corro doce e revoltoso em direção                        ao destino de ser outra coisa. Tenho margens Tenho profundezas Tenho quedas e curvas.No misterioso trajeto                 eu vou                 seguindo a minha natureza Eu não posso voltar atrás Nada posso contra a gravidade Devo aceitar a metamorfose. Enquanto ela acontece, Olho à esquerda e à direita Sem sentir-me jamais seguro para ir adiante Mesmo assim, eu vou. Às vezes arrasto com violência o que está no meu caminho Em outras, deslizo com suavidade Possuído por embarcações de esperança Não quero chegar a mar Mas sou empurrado sem alguma misericórdia Revolto-me, e, pouco a pouco, perco a doçura                 que faz de mim um rio. As embarcações me deixam de habitar                 Porque sou instável, perigoso Estou apavorado, confuso entre duas naturezas                 que não compreendo. Já fui água navegável Já fui saudade e já fui feliz ao chegar em plantações. Hoje sou um medo do…

9 de agosto de 2016

Dia dos pais 2016

Pela alegria dos filhos, se vê o pai. Pelo menos esses filhos, pelo menos esse pai. Pois é assim que é a relação deles: eles refletem um ao outro. Eles animam um ao outro. Eles são um no outro. E eu sou em todos eles: minha fonte de onde jorram esperança, alegria, amor e gratidão, para dizer o imediato. É para ele que os filhos correm em busca de socorro, companheirismo, colo, diálogo e compreensão. E é lá que encontram tudo o que buscam num pai. Eu sou feliz por tê-lo ao meu lado e dividir com ele as dores e as delícias da paternidade. Luanda, Ulisses e Marina, o melhor pai do mundo é o de vocês! 
#ondeestáomeucoração#ondemoraminhapaz#Ulisses#Marina#Luanda


Escrito no domingo dos pais. 14/08/2016

Meu pai é um presente que fui (e vou) desembrulhando aos pouquinhos. 
Já encontrei nele o que eu quis e o que eu não quis encontrar. Já briguei com ele, já quis ir embora e já quis nunca mais sair de perto dele. 
Depois, meus filhos chegaram. E meu pai virou avô. O que amaciou a natureza dele e a minha. E quanto mais o tempo passa, mais eu compreendo aquele ditado de que Deus escreveria certo por linhas tortas. Porque se há amor, há Deus. E esta é a base do livro onde está tudo certo, ainda que as linhas sejam tortas. É por aí que nos encontramos, meu pai e eu. Que linhas acima e abaixo, tortas e certas, guardamos um amor nem sempre dito, mas sempre presente, entre um olhar e outro, entre uma compreensão e outra. Guardamos amor um pelo outro. E isto é o bastante. E todas as linhas estão sendo escritas sobre e com esse sentimento que nos temos.
Feliz dia dos pais, seu Jesus Soares de Menezes!


PRECE DE LAVOURA

Qual agricultor entende o tempo de semeadura e colheita, eu quero ser.
Eu quero entender as minhas estações. 
Aprender sobre a minha natureza - Quando eu for inverno, quando estio.
Que eu aprecie as flores e saiba lidar com a queda das folhas. 
Que eu ouça e veja pássaros em redor das copas. 
Que os frutos sejam belos e saciem a fome dos que vêm. 
Que eu aprofunde minhas raízes em busca das águas mais vitais. 
Que eu saiba aceitar cada estação com gratidão e sabedoria
Que eu saiba esperar entre a semente e o fruto. 
Que eu tome cada um de meus dias com coragem e alegria. 
Que eu tenha respeito por cada tempo que chega e por cada tempo que vai. 
Que eu seja feliz do plantio à colheita. 
Assim seja! 
(Sibéria de Menezes Carvalho)