sexta-feira, 14 de abril de 2017

LAVEMOS OS PÉS UNS DOS OUTROS

LAVEMOS OS PÉS UNS DOS OUTROS

Sibéria de Menezes


Uma das narrativas mais importantes dos últimos feitos de Jesus é, sem dúvida, aquela em que Ele lava os pés dos seus discípulos. Ainda hoje essa cerimônia é lembrada e celebrada em alguns cultos cristãos. Basicamente, e por motivos óbvios, ela se concentra em Jesus, já que Ele é o protagonista da narrativa. É claro que a humildade de Jesus salta aos olhos. Ela é virtude d’Ele e se apresenta todas as vezes em que lemos a Sua história. No entanto, olhemos para Pedro, com quem Jesus trava um diálogo profundo e cheio de significado nessa passagem.

Quando Jesus dirige-se a Pedro, este se recusa a ter seus pés lavados por Ele. “Disse Pedro: ‘Não; nunca lavarás os meus pés!’”. Ao que Jesus responde: “Se não os lavar, você não terá parte comigo.”
Por que Jesus diz isso? Por que Jesus condiciona que para ter parte com Ele, Pedro deve deixá-lo lavar os seus pés? O que seria lavar os pés, além de um serviço de humildade de Jesus? O que seria ter os pés lavados por Jesus?

Tomemos a relação de Pedro e Jesus. No mesmo capítulo (João 13:1), “...tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Antes de tudo, era uma relação de amor. Pelo pouco conhecimento que tenho das escrituras, observo que Jesus demonstrava quem era e o que viera fazer através dos relacionamentos que estabelecia com os outros.

Quando Pedro não permite ter seus pés lavados, está dizendo que se considera menor que Jesus, e é isto verdade; no entanto, ao mesmo tempo, Pedro está com muita vergonha da sujeira que carrega. Pedro não quer mostrar as suas chagas, o que nele é feio, sujo, humano. Jesus insiste em lavar os pés de Pedro, e não abandona seu amigo na sua ignorância. Jesus estabelece que isso é condição para que haja entre os dois uma relação profunda, em que os dois terão parte um com o outro.

Em muitos dos nossos relacionamentos, preferimos ficar na superficialidade, apresentando-nos uns aos outros naquilo que nos faz brilhar, naquilo que nos enaltece, naquilo que alimenta nosso ego. E também esperamos isto dos outros com quem nos relacionamos: queremos a beleza, a facilidade, o conforto, as afinidades, a tal da reciprocidade. Chegada a hora das sombras, nossa tendência é abandonar, é desacreditar, questionar se há amor, e muitas das vezes dizer que não há amor. Nossa tendência é negar, como Pedro. É bater em retirada.
  
Jesus sentou-se à mesa com pessoas comuns, uma dessas pessoas o trairia (e Ele sabia disto), uma dessas pessoas o negaria. Quero dizer que Jesus não se sentou com pessoas terminadas, santas. Jesus sentou-se e serviu aos menores que Ele. Mas nós queremos ser amados sem “amar primeiro”. Haveremos de dizer o seguinte: “Ah, mas Jesus é Jesus!” Eu sou de carne e osso, eu sou pecador, eu sou um ser humano. Jesus sabe disso. Ele veio mostrar que podemos amar uns aos outros. E veio mostrar o que é amor, amando, não apenas dando sermões. Não escolhendo este ou aquele para amar, mas amando a todos.

Quantos de nós agimos como Pedro uns com os outros? Ocultando nossa parte frágil e suja, por medo da rejeição, da incompreensão, por falsa humildade? Tomemos parte uns com os outros, uns dos outros, na integralidade do que vivemos. É arriscado, é difícil, é loucura, mas é isso que Jesus está dizendo.

No final desse capítulo, (João 13:14-15) Jesus diz: “Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros./ Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz.” Jesus chegou, permaneceu, partiu, e permanece mostrando o que é amor. Amor mesmo, não romantização de sentimentos, mas serviço, paciência, unidade, resistência, perdão, entre tantos outros atributos do amor. O texto mostra, no seu último versículo (João 13:17) uma ordem e uma finalidade deste momento que  tem com seus discípulos: “Agora vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem.” A ordem é que pratiquemos estas coisas, que sirvamos uns aos outros e que nos relacionemos uns com os outros, em suma, que amemos verdadeiramente uns aos outros; a finalidade é que, fazendo isto, seremos felizes. Isto é importante destacar, porque nossa primeira reação ao serviço e a humildade é achar que estamos nos humilhando, que estamos sendo “feitos de bobos”, mas o Mestre ainda nos dá esta lição valiosa, que isto não nos trará infelicidade, pelo contrário, felicidade. Porque, quando somos tomados verdadeiramente pelo espírito do amor, somos felizes em servir, somos felizes em sentir e dar amor.


Para concluir, Jesus não pede que lavemos apenas os pés dos outros, ele usa uma forma reflexiva: lavem os pés uns dos outros. Ou seja: deixem-se também ser lavados. Lavemos os pés uns dos outros.

sábado, 10 de setembro de 2016

sábado, 3 de setembro de 2016


SILÊNCIO - MEU OBSERVATÓRIO NATURAL (Sibéria de Menezes Carvalho)

Sempre fui acometida pelo silêncio e pela necessidade de dizer. 
Primeiro eu quero dizer, e não sabendo como, e não tendo a certeza do quê dizer, eu faço longos silêncios

Meu silêncio é vário: confusão, medo, incerteza, orgulho, carência, vaidade ou apenas um jeito de não saber o que fazer.
Algumas vezes, resistência
Noutras, covardia
Mas eu o aceito
E o procuro
Quando a vida se põe incompreensível ou impossível.

Meu silêncio também é espera, contemplação, um autodescanso.
Meu silêncio é o lugar onde me guardo, enquanto não digo.

Antes de dizer, eu sou silêncio
Às vezes, sei viver uma grande alegria em silêncio. Às vezes, uma grande tristeza.
Antes do verbo, vizinho ao caos, havia profundo silêncio.

#luzsobrepoesia #silêncioepaz #silêncio

sábado, 20 de agosto de 2016

HOJE EU SOU RIO



Sou rio que não quer ser mar.
Corro doce e revoltoso em direção       
                ao destino de ser outra coisa.
Tenho margens
Tenho profundezas
Tenho quedas e curvas.No misterioso trajeto
                eu vou
                seguindo a minha natureza
Eu não posso voltar atrás
Nada posso contra a gravidade
Devo aceitar a metamorfose.
Enquanto ela acontece,
Olho à esquerda e à direita
Sem sentir-me jamais seguro para ir adiante
Mesmo assim, eu vou.
Às vezes arrasto com violência o que está no meu caminho
Em outras, deslizo com suavidade
Possuído por embarcações de esperança
Não quero chegar a mar
Mas sou empurrado sem alguma misericórdia
Revolto-me, e, pouco a pouco, perco a doçura
                que faz de mim um rio.
As embarcações me deixam de habitar
                Porque sou instável, perigoso
Estou apavorado, confuso entre duas naturezas
                que não compreendo.
Já fui água navegável
Já fui saudade e já fui feliz ao chegar em plantações.
Hoje sou um medo do fatal destino de ser
água de contemplação: imensidão-azul-verde-salgada.
Ainda sou rio a essa altura em que me nego ser mar.
Mas estou caindo e o mar é logo ali.
Ele me engolirá como se eu fosse nada.
Levando minha doçura para o esquecimento.
Contudo,
enquanto deslizo, eu sou rio.
Enquanto doce, eu sou rio
Enquanto tenho enchentes, eu sou rio.
Um dia chego ao mar.
Mas hoje, eu sou rio.

Sibéria de Menezes Carvalho


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

9 de agosto de 2016


Dia dos pais 2016

Pela alegria dos filhos, se vê o pai. Pelo menos esses filhos, pelo menos esse pai. Pois é assim que é a relação deles: eles refletem um ao outro. Eles animam um ao outro. Eles são um no outro. E eu sou em todos eles: minha fonte de onde jorram esperança, alegria, amor e gratidão, para dizer o imediato. É para ele que os filhos correm em busca de socorro, companheirismo, colo, diálogo e compreensão. E é lá que encontram tudo o que buscam num pai. Eu sou feliz por tê-lo ao meu lado e dividir com ele as dores e as delícias da paternidade. Luanda, Ulisses e Marina, o melhor pai do mundo é o de vocês! 
#ondeestáomeucoração #ondemoraminhapaz#Ulisses #Marina #Luanda