sábado, 10 de setembro de 2016

sábado, 3 de setembro de 2016


SILÊNCIO - MEU OBSERVATÓRIO NATURAL (Sibéria de Menezes Carvalho)

Sempre fui acometida pelo silêncio e pela necessidade de dizer. 
Primeiro eu quero dizer, e não sabendo como, e não tendo a certeza do quê dizer, eu faço longos silêncios

Meu silêncio é vário: confusão, medo, incerteza, orgulho, carência, vaidade ou apenas um jeito de não saber o que fazer.
Algumas vezes, resistência
Noutras, covardia
Mas eu o aceito
E o procuro
Quando a vida se põe incompreensível ou impossível.

Meu silêncio também é espera, contemplação, um autodescanso.
Meu silêncio é o lugar onde me guardo, enquanto não digo.

Antes de dizer, eu sou silêncio
Às vezes, sei viver uma grande alegria em silêncio. Às vezes, uma grande tristeza.
Antes do verbo, vizinho ao caos, havia profundo silêncio.

#luzsobrepoesia #silêncioepaz #silêncio

sábado, 20 de agosto de 2016

HOJE EU SOU RIO



Sou rio que não quer ser mar.
Corro doce e revoltoso em direção       
                ao destino de ser outra coisa.
Tenho margens
Tenho profundezas
Tenho quedas e curvas.No misterioso trajeto
                eu vou
                seguindo a minha natureza
Eu não posso voltar atrás
Nada posso contra a gravidade
Devo aceitar a metamorfose.
Enquanto ela acontece,
Olho à esquerda e à direita
Sem sentir-me jamais seguro para ir adiante
Mesmo assim, eu vou.
Às vezes arrasto com violência o que está no meu caminho
Em outras, deslizo com suavidade
Possuído por embarcações de esperança
Não quero chegar a mar
Mas sou empurrado sem alguma misericórdia
Revolto-me, e, pouco a pouco, perco a doçura
                que faz de mim um rio.
As embarcações me deixam de habitar
                Porque sou instável, perigoso
Estou apavorado, confuso entre duas naturezas
                que não compreendo.
Já fui água navegável
Já fui saudade e já fui feliz ao chegar em plantações.
Hoje sou um medo do fatal destino de ser
água de contemplação: imensidão-azul-verde-salgada.
Ainda sou rio a essa altura em que me nego ser mar.
Mas estou caindo e o mar é logo ali.
Ele me engolirá como se eu fosse nada.
Levando minha doçura para o esquecimento.
Contudo,
enquanto deslizo, eu sou rio.
Enquanto doce, eu sou rio
Enquanto tenho enchentes, eu sou rio.
Um dia chego ao mar.
Mas hoje, eu sou rio.

Sibéria de Menezes Carvalho


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

9 de agosto de 2016


Dia dos pais 2016

Pela alegria dos filhos, se vê o pai. Pelo menos esses filhos, pelo menos esse pai. Pois é assim que é a relação deles: eles refletem um ao outro. Eles animam um ao outro. Eles são um no outro. E eu sou em todos eles: minha fonte de onde jorram esperança, alegria, amor e gratidão, para dizer o imediato. É para ele que os filhos correm em busca de socorro, companheirismo, colo, diálogo e compreensão. E é lá que encontram tudo o que buscam num pai. Eu sou feliz por tê-lo ao meu lado e dividir com ele as dores e as delícias da paternidade. Luanda, Ulisses e Marina, o melhor pai do mundo é o de vocês! 
#ondeestáomeucoração #ondemoraminhapaz#Ulisses #Marina #Luanda


Escrito no domingo dos pais. 14/08/2016

Meu pai é um presente que fui (e vou) desembrulhando aos pouquinhos. 
Já encontrei nele o que eu quis e o que eu não quis encontrar. Já briguei com ele, já quis ir embora e já quis nunca mais sair de perto dele. 
Depois, meus filhos chegaram. E meu pai virou avô. O que amaciou a natureza dele e a minha. E quanto mais o tempo passa, mais eu compreendo aquele ditado de que Deus escreveria certo por linhas tortas. Porque se há amor, há Deus. E esta é a base do livro onde está tudo certo, ainda que as linhas sejam tortas. É por aí que nos encontramos, meu pai e eu. Que linhas acima e abaixo, tortas e certas, guardamos um amor nem sempre dito, mas sempre presente, entre um olhar e outro, entre uma compreensão e outra. Guardamos amor um pelo outro. E isto é o bastante. E todas as linhas estão sendo escritas sobre e com esse sentimento que nos temos.
Feliz dia dos pais, seu Jesus Soares de Menezes!