LIVRANDO-SE DE CALCINHAS “UM POUCO VELHAS”
“Sujo atrás da orelha,
Bigode de groselha,
Calcinha um pouco velha
Ela não tem” (Chico Buarque/Edu Lobo. Ciranda da Bailarina)
A partir desses versinhos, lindamente interpretados por Adriana Partimpim (heterônimo da Adriana Calcanhoto para crianças), surgiu, numa roda de meninas-não-bailarinas, onde, felizmente, eu estava, um assunto que me chamou atenção. “Isto merece um texto!”. Ei-lo! A pergunta é a seguinte: o que fazer com calcinhas velhas? Daquelas mesmo que estás pensando nessa sua cabecinha, aquelas... que todas nós tivemos, temos e teremos, em algum momento da vida – se Deus quiser! Calcinhas um pouco velhas sempre estarão nas nossas gavetas. E como teremos rituais e alguma dificuldade para jogá-las fora!
Conversa vai, conversa vem... fui ouvindo depoimentos tão curiosos que me arrepiei ao pensar no quanto estávamos desfrutando de tamanha intimidade naquele momento. Eu também tive a minha hora de confessar o que costumava fazer com as calcinhas tão difíceis de ir embora. Mas não vou dar nomes.
Eis algumas formas: enrolar num papel e jogá-la na lixeira do banheiro, picar de tesoura e amarrar num saquinho, depositando-a depois no lixo comum, amarrar para depois colocar na lixeira do banheiro, lavar antes de jogar fora, atirar diretamente na lixeira do banheiro, mas colocando algum disfarce por cima... gente! Tanta técnica prá separar-se da calcinha-um-pouco-velha que fiquei impressionada. Sou capaz de dizer que existem muito mais técnicas para isto “do que julga a nossa vã filosofia”. Fora a graça, isso tudo me faz refletir um bocado sobre a personalidade feminina (Ainda não sei o que os homens fazem com suas cuecas velhas).
Vejam só, de roupas a gente se desfaz numa boa (come on, de algumas...) mas das calcinhas não, elas são sagradas. Elas carregam a nossa inteira personalidade e intimidade e história. Elas são capazes de dizer quase tudo sobre nós. E se são velhas, o negócio se complica – é como se toda a nossa volúpia tivesse acabado, estivesse assim como a calcinha, que jaz morta, gasta, frouxa, sofrida. As calcinhas novas sempre nos dão um novo ânimo. Pergunte a qualquer mulher! Comprar calcinhas novas e vesti-las é sempre bom. Todas nos sentimos renovadas se estamos com a roupa íntima em dia, novinha. É como um banho revigorante depois de um dia de cão.
Jogar fora calcinhas-um-pouco-velhas será sempre um horror, algo que faremos de tudo para não visualizar, por isso as enrolamos, as escondemos, disfarçamos das mais variadas formas para não ver a nossa intimidade rolando por aí e para mal-disfarçar a nossa separação delas. Faremos de tudo para que os outros não saibam que dentro de cada uma de nós existe algo que não se deve revelar, não necessariamente feio e velho, mas, íntimo, inviolável, impartilhável.
Um pedaço de nós vai junto com esse lixo tão emocional, que são as calcinhas velhas. Ainda depois de tantas palavras, continuo com uma dúvida cruel: o que fazer com elas, hein? Uma dúvida só não – várias. Por que tanta dificuldade em fazer algo aparentemente tão simples? Por que na já tão cheia agenda das mulheres existe o difícil ritual de desfazer-se das pobres calcinhas? Alguma coisa existe de muito delicado nisto tudo. Só sei que nunca conseguimos juntar calcinhas velhas para jogar fora de uma vez, sempre fazemos isto de uma por uma, ainda que tenhamos as comprado em dúzias. Meio sintomático. Talvez não. Sei que só quem já viveu o drama de desfazer-se de uma calcinha-um-pouco-velha sabe o que significa isto.
Conte-me o que fazes para jogar fora as suas calcinhas-um-pouco-velhas. Você consegue!
“Sujo atrás da orelha,
Bigode de groselha,
Calcinha um pouco velha
Ela não tem” (Chico Buarque/Edu Lobo. Ciranda da Bailarina)
A partir desses versinhos, lindamente interpretados por Adriana Partimpim (heterônimo da Adriana Calcanhoto para crianças), surgiu, numa roda de meninas-não-bailarinas, onde, felizmente, eu estava, um assunto que me chamou atenção. “Isto merece um texto!”. Ei-lo! A pergunta é a seguinte: o que fazer com calcinhas velhas? Daquelas mesmo que estás pensando nessa sua cabecinha, aquelas... que todas nós tivemos, temos e teremos, em algum momento da vida – se Deus quiser! Calcinhas um pouco velhas sempre estarão nas nossas gavetas. E como teremos rituais e alguma dificuldade para jogá-las fora!
Conversa vai, conversa vem... fui ouvindo depoimentos tão curiosos que me arrepiei ao pensar no quanto estávamos desfrutando de tamanha intimidade naquele momento. Eu também tive a minha hora de confessar o que costumava fazer com as calcinhas tão difíceis de ir embora. Mas não vou dar nomes.
Eis algumas formas: enrolar num papel e jogá-la na lixeira do banheiro, picar de tesoura e amarrar num saquinho, depositando-a depois no lixo comum, amarrar para depois colocar na lixeira do banheiro, lavar antes de jogar fora, atirar diretamente na lixeira do banheiro, mas colocando algum disfarce por cima... gente! Tanta técnica prá separar-se da calcinha-um-pouco-velha que fiquei impressionada. Sou capaz de dizer que existem muito mais técnicas para isto “do que julga a nossa vã filosofia”. Fora a graça, isso tudo me faz refletir um bocado sobre a personalidade feminina (Ainda não sei o que os homens fazem com suas cuecas velhas).
Vejam só, de roupas a gente se desfaz numa boa (come on, de algumas...) mas das calcinhas não, elas são sagradas. Elas carregam a nossa inteira personalidade e intimidade e história. Elas são capazes de dizer quase tudo sobre nós. E se são velhas, o negócio se complica – é como se toda a nossa volúpia tivesse acabado, estivesse assim como a calcinha, que jaz morta, gasta, frouxa, sofrida. As calcinhas novas sempre nos dão um novo ânimo. Pergunte a qualquer mulher! Comprar calcinhas novas e vesti-las é sempre bom. Todas nos sentimos renovadas se estamos com a roupa íntima em dia, novinha. É como um banho revigorante depois de um dia de cão.
Jogar fora calcinhas-um-pouco-velhas será sempre um horror, algo que faremos de tudo para não visualizar, por isso as enrolamos, as escondemos, disfarçamos das mais variadas formas para não ver a nossa intimidade rolando por aí e para mal-disfarçar a nossa separação delas. Faremos de tudo para que os outros não saibam que dentro de cada uma de nós existe algo que não se deve revelar, não necessariamente feio e velho, mas, íntimo, inviolável, impartilhável.
Um pedaço de nós vai junto com esse lixo tão emocional, que são as calcinhas velhas. Ainda depois de tantas palavras, continuo com uma dúvida cruel: o que fazer com elas, hein? Uma dúvida só não – várias. Por que tanta dificuldade em fazer algo aparentemente tão simples? Por que na já tão cheia agenda das mulheres existe o difícil ritual de desfazer-se das pobres calcinhas? Alguma coisa existe de muito delicado nisto tudo. Só sei que nunca conseguimos juntar calcinhas velhas para jogar fora de uma vez, sempre fazemos isto de uma por uma, ainda que tenhamos as comprado em dúzias. Meio sintomático. Talvez não. Sei que só quem já viveu o drama de desfazer-se de uma calcinha-um-pouco-velha sabe o que significa isto.
Conte-me o que fazes para jogar fora as suas calcinhas-um-pouco-velhas. Você consegue!
Kkkkkk. Sibéria, vc é demais. Uma simples conversa virou filosofia. Adorei!!!
ResponderExcluirDepois dessa leitura, confesso, fiquei ainda mais insegura: como descartá-las?
Bjs,
Tina
Bonito o texto da profa. Sibéria. Digno de publicação em revistas de entretenimento feminino. Texto ágil, gosto de ler e que encerra "verdades" femininas.
ResponderExcluirParabéns, colega !
Zé Nilton
Ameiiiiiiiiii!Como eu gosto de dizer você é realmente minha AMIGA CULTA. Admiro demais a tua arte de escrever. Seus textos são deliciosos de ler.rsrsrs.
ResponderExcluirEm tempo:PARABÉNS,pelo concurso do SESC.
Caracas! Você acredita q eu tbm estava escrevendo um texto sobre o assunto???!!! Calcinha velha é sempre um dilema: Jogar ou não jogar fora? Não sou tão velha, mas sou da época em as mães diziam que pra sair tem q botar uma calcinha direitinha, vai q aconte um acidente! rsrsrs...
ResponderExcluirbjs, linda!
E cá estou eu sem saber o que fazer com um monte de calcinhas velhas nem tanto, mas carregando essa tal intimidade e complicando com a responsabilidade de materiais que certamente agravarão a questão ambiental com o lixo....
ResponderExcluirO que eu faço?
E cá estou eu sem saber o que fazer com um monte de calcinhas velhas nem tanto, mas carregando essa tal intimidade e complicando com a responsabilidade de materiais que certamente agravarão a questão ambiental com o lixo....
ResponderExcluirO que eu faço?
Carrego o mesmo dilema há anos! Quando souber de uma forma ecologicamente correta, compartilha com a gente!
ExcluirEu tb! Achei que o texto iria ajudar nisso, não sabia que seria uma crônica rs (vim pelo resultado de pesquisa).
ExcluirProcurei respostas, encontrei o mesmo dilema.
ResponderExcluirMas o lindo texto traduz exatamente meu sentimento!
Neste momento estou à procure na internet de algum "tutorial" de como descartar lingeries e eu estava certa de que certamente encontraria a resposta, mas até o momento só encontrei pessoas neste mesmo dilema... (Legal o texto)
ResponderExcluirDoe.
ExcluirNa verdade tenho dó de jogar fora, algumas são tão bonitinhas,quando resolvo jogar fora enrolo no papel higienico ou sacolinha e vai pro lixo do banheiro. Também penso na questão ambiental. Tenho algumas meio velhinhas mas estou relutando jogar fora.
ResponderExcluirAmo calcinhas velhas, doe- me.
ExcluirAmo calcinhas velhas, doe- me.
ExcluirAMEI !RSS eu sou daquelas que ama langerie e vendo também as mesmas rss então sempre tem alguma peça nova , esse ano já joguei umas 15 fora eram queridas mais precisava de um fim pras novas amigas entrarem ! Eu achava que existia validade de uma calcinha / cueca pelo fato d éter várias bactérias mesmo sendo lavada !
ResponderExcluirAntes de jogar. Que tal fazer uns troquinhos com elas. Gostaria de compralas de vc. Ja tenho mais de 600 peças na minha coleção. Caso queira e so ne responder
ExcluirOlá, vc compra medmo? 🙂Desculpa a pergunta, mas vc recicla ou coleciona ?
ExcluirCompro sim. Desde esteja limpa e sem mancha. Principalmente se for de marca.
ExcluirOlá, tenho um dilema parecido mas não igual: quando eu era magrinha comprava calcinhas bem sex. Porém, engordei e lá estão as calcinhas tão lindinhas, mas que nunca mais entrarão em mim, mas que não tenho coragem de jogar fora. Na verdade, gostaria de dá-las a alguma mocinha magrinha, mas, jamais terei coragem de oferece a alguém. Pensei então que na internet poderia haver algum site que ensinasse a fazer artesanato ou sei lá o que com as calcinhas em tão bom estado. Se alguém souber, por favor me fale.
ResponderExcluirOla. Boa tarde. Me passa seu whats que ti chamo e podemos negociar elas
ExcluirOlá. Tenho muitas e todas foram ganhadas. Se alguma de vocês quiser doar entre em contato comigo.
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