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Se a poesia me invadisse

























Se a poesia me invadisse,
Como num dia de verão,
Eu poderia reparar
No verde das folhas
E veria o sol banhar com sua luz amarela àquilo que ele transforma em dia.
Se a poesia me invadisse
Eu seria o verão: alegre, quente, afeito à cores e passeios de bicicleta.
E, sendo verão, andaria com o Sol aonde eu fosse, me espalhando sobre mares e montanhas.
Sendo solar e alegre, abrigaria na algibeira de ser os pássaros em vôos vertiginosos como a liberdade.
Só tu, poesia, fartaria meus dias em sentido, em luz, em inteirezas.
E pintaria com as cores vivas o que é nublado, transfigurando todas as coisas, como o Sol que navega pelos ares até iluminar o mais escondido dos mundos.
Subordino-me a ti, poesia, vem e faz-me merecer ser um dia de verão!
 

(Sibéria de Menezes Carvalho)

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