Pular para o conteúdo principal

"Postagenzinha qualquer"

“Eta, vida besta, meu Deus!”
Um poeminha pensando em Drummond

Mão-de-obra
Pé-de-valsa
João-sem-braço
Maria-vai-com-as-outras
João-ninguém
Samba-do-crioulo-doido
Corpo-mole
Minha vida hifenada a tua
Minha vida substantivada
Ali vai Raimundo que amava ninguém
Raimundo que faz corpo-mole
                Quando vê a hora de dançar o samba-do-crioulo-doido
Raimundo João-ninguém que é só mão-de-obra rasa
Raimundo, dançarino pé-de-valsa que vai com a Maria-vai-com-as-outras
Vai, Raimundo, ser gauche na vida
Vai ser tudo, Raimundo
Vai ser rima, vai sem rumo
Vai amar Teresa nenhuma
Lá vai Raimundo, sem ser rima, nem solução.
Lá vai Raimundo
Lá vai Drummond

Lá vou eu, sem rima no coração.

Sibéria de Menezes

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS-UM-POUCO-VELHAS

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS “UM POUCO VELHAS”

“Sujo atrás da orelha,
Bigode de groselha,
Calcinha um pouco velha
Ela não tem” (Chico Buarque/Edu Lobo. Ciranda da Bailarina)

A partir desses versinhos, lindamente interpretados por Adriana Partimpim (heterônimo da Adriana Calcanhoto para crianças), surgiu, numa roda de meninas-não-bailarinas, onde, felizmente, eu estava, um assunto que me chamou atenção. “Isto merece um texto!”. Ei-lo! A pergunta é a seguinte: o que fazer com calcinhas velhas? Daquelas mesmo que estás pensando nessa sua cabecinha, aquelas... que todas nós tivemos, temos e teremos, em algum momento da vida – se Deus quiser! Calcinhas um pouco velhas sempre estarão nas nossas gavetas. E como teremos rituais e alguma dificuldade para jogá-las fora!
Conversa vai, conversa vem... fui ouvindo depoimentos tão curiosos que me arrepiei ao pensar no quanto estávamos desfrutando de tamanha intimidade naquele momento. Eu também tive a minha hora de confessar o que costumava fazer com as c…

A DOR DO OUTRO

Por Sibéria de Menezes
É comum afirmar que a grama do vizinho é sempre mais verde. Aí o outro é paragem e delícia. Mas há um outro. Outro que ignoramos, outro a quem queremos ainda mais mal. O outro por quem não nos compadecemos. Por quem não exercemos compaixão: aquele que sofre. Aquele que carrega uma dor. Porque a dor do outro não é desejada como é a grama do outro. Porque a dor é um substantivo abstrato. Porque precisamos sentir para saber dimensionar a dor.
Para quem já sentiu uma dor, qualquer delas, talvez seja um pouco mais fácil colocar-se no lugar do outro. Há, porém, o esquecimento da dor. Há quem mesmo tendo passado por experiência semelhante a do outro, ainda o julgue, ainda ridicularize a dor pela qual o outro passa.
(Com)paixão, capacidade de sofrer a dor do outro, dimensionar a dor do outro, entender que o outro precisa de suporte. É mais que o ato de (com)padecer-se do outro, porque a compaixão deve ir além do lamento e da contemplação da dor alheia.
Cristo pregou em todo…