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Vem ver as flores!

Tomo como verdadeiro, sem interesse algum em confirmar, porque para mim é mais belo que seja verdade, o fato de que as flores datam do mesmo período do homem na Terra. Digamos que Deus, ou a Natureza, como queiram acreditar, preparou o planeta Terra e nele despejou as águas: doces e salgadas, em abismos e cascatas. Dentro das águas, a vida. Nos ares, a vida. Embaixo do chão, a vida. Dentro dos pe ixes e pássaros, a vida. Segundo o que acredito, Deus criou por último o homem. E segundo o que ouso dizer, para que este pudesse dar continuidade ao Seu trabalho de criar. Enfim, conforme o que gosto de acreditar, certa vez ouvi que as flores e o homem surgiram ao mesmo tempo no planeta. Do confronto entre a fé da Ciência e da Religião, derivo a poesia do que para mim isto significa. 1. Que Deus é aquele pai amoroso, que prepara para os seus filhos a chegada. Ou, se para ti, o Deus é a Natureza, que ela tem igual sabedoria e cuidado. 2. Que Deus é a ...

Se a poesia me invadisse

Se a poesia me invadisse, Como num dia de verão, Eu poderia reparar No verde das folhas E veria o sol banhar com sua luz amarela àquilo que ele transforma em dia. Se a poesia me invadisse Eu seria o verão: alegre, quente, afeito à cores e passeios de bicicleta. E, sendo verão, andaria com o Sol aonde eu fosse, me espalhando sobre mares e montanhas. Sendo solar e alegre, abrigaria na algibeira de ser os pássaros em vôos vertiginosos como a liberdade. Só tu, poesia, fartaria meus dias em sentido, em luz, em inteirezas. E pintaria com as cores vivas o que é nublado, transfigurando todas as coisas, como o Sol que navega pelos ares até iluminar o mais escondido dos mundos. Subordino-me a ti, poesia, vem e faz-me merecer ser um dia de verão!   (Sibéria de Menezes Carvalho)

11 anos de Ulisses

Filho, tão estreita é a ponte que há entre mim e ti Que não sei onde você começa Nem onde eu findo Só sinto que nessa ponte está guardado todo o encantamento Que, juntos, construímos diariamente Porque és para mim estrada que me leva ao sagrado universo do amor, Onde todas as coisas são milagre: Como a chuva que sempre cai na madrugada do seu aniversário. É milagre quando ao te olhar eu sei, sem que me diga uma só palavra É milagre quando me abraça e sinto a tua paz É milagre ser mãe E receber a ti como filho, Com esse sorriso que me basta. És para mim bênção divina, com quem partilho a estrada da vida. Deu-me novo coração, nova vida e o nome MÃE! Pra ti, Ulisses, toda a sorte de tudo o que for bom Que Deus te guarde e abençoe. Feliz aniversário, meu amor! (Publicado no facebook, dia 11 de março de 2016)

We've got the power!

Cada qual com o seu superpoder. Aquele onde mora a força que nos mantém vivos. Há o poder da paciência E dos que têm pressa Há o poder do silêncio E o da gritaria Há o poder do indivíduo E o da multidão Há poder em permanecer parado, como há o de bater em retirada... há grande poder em querer estar nos dias seguintes. Há poder em se alegrar com as coisas semiatômicas, pequenas e indivisíveis: abraços, beijos, olhares e apertos de mãos. Há muito poder na boa espera Há poder no humor que suaviza as horas más Há poder em se perder, para encontrar-se consigo em melhores condições mais tarde.  Perder-se para depois achar-se é de alegria incomensurável. Há mais poder em amar do que em ser amado. Sim, todos temos superpoderes. Observa: como tens talento para cuidar ou ser cuidado, como te assentas em paz sobre dias difíceis, como tens aquela palavra ou aquele silêncio, aquele abraço ou aquele jeito de fazer o bem que seja! Como tu te levantas ...

Banho de chuva

Quando a chuva cair, vamos, sem demora, chamar os nossos filhos a "cair" na chuva. Que "desça sobre nós e permaneça para sempre" a pureza das águas cristalinas. Que fique esta lembrança de quando nos banhamos de água do céu e não tivemos medo das pequenas mãos que pingavam sobre nosso corpo. O céu vai desabar em pequenas gotas, tomaremos banho de céu, com nossos pequenos anjos terrestres.  Por Sibéria de Menezes.

UM NÃO-SONETO PARA BILAC

Sibéria de Menezes Os astros me avisaram Estrelas cortaram velozes o negrume do céu Na esperança que eu as pudesse ouvir Mas há muito não as ouço, Bilac Há muito tenho deixado descansar meu ouvido de ouvir estrelas Os astros me avisaram Que minhas certezas beiravam o abismo No entanto, de poetas e astros se faz um mundo, não o entendimento De vaga em vaga, cai meu coração atônito e estúpido Sem compreender o sentido de tudo o que o cerca Sem achar os decassílabos que lhe tragam alguma paz. O céu rompeu em chuvas de meteoros Perdi de ver Saturno com seus anéis Não acompanhei a dança dos cometas, por te observar. Enquanto te contemplava astro-rei, semideus trajado de sol Caí de uma altura de mil penhascos Os astros me avisaram E eles não mentem, jamais A seiva de sentimentos agoniza sob Júpiter e Netuno Cavando, sem piedade, um buraco negro No mais obtuso planeta dos mundos: o coração.

NAS VEIAS DO TEMPO - Sibéria de Menezes

O tempo corre lenta e repentinamente Dobrando-nos a pele em rugas irreparáveis. Segredo dos vivos, assim, gota a gota se esvai, inexoravelmente. Nosso companheiro e algoz – a dar-nos além da flacidez, os filhos; além da inocência, as palavras. Tempo, ó deus dos deuses, que testemunhas nossa irrisória passagem neste espaço-tempo; que a nenhum mortal curva-se em deleite ou piedade. Tempo que dá feitio de homem e mulher às crianças e por todos nós passa ilesamente o mesmo. Tempo que testemunhou a passagem da Antiga Roma e Atenas, de Sócrates e Platão, e que testemunhará outros, muitos outros que também virão. Tempo justo, de minuto a minuto corre para nós o mesmo igual de partes e eras. Tempo, eis-me aqui, com minhas veias encharcadas de ti! Eis-me aqui, testemunha da passagem das horas, as mesmas que destes a Villa-Lobos e a Lennon – 24 horas, segundo a segundo, mergulhada em ti.