Não sei de onde, desde a infância tenho verdadeira mania por chegar cedo. Minha mãe me ajuda a construir a imagem que carrego de eu sempre chorar quando me atraso em algum compromisso. Lembro perfeitamente, das poucas coisas que lembro da minha distante infância, de como eu chorava e me desesperava por chegar à escola mais tarde. Nossa! Era um tormento. Talvez lembre assim tão bem, porque é exatamente assim que me sinto até hoje quando não chego cedo. Experimento de uma deliciosa, diria até orgástica, sensação cada vez que chego um pouco mais cedo. Isso é um paradoxo, pois, por outro lado, sou uma pessoa que atesta não ter paciência para esperar. E, embora não gostando, acho que talvez eu seja a pessoa que conheço que mais espera. Pois dei na “sorte” de conviver com pessoas que adoram que eu espere. Minha família toda é assim – ou talvez, porque sou a primeira a chegar, ou a estar pronta, sou eu também a que sempre espera. Paradoxal, não? Será que tenho pressa? Será que no fundo eu gos...