Pular para o conteúdo principal

NAS VEIAS DO TEMPO - Sibéria de Menezes



O tempo corre lenta e repentinamente
Dobrando-nos a pele em rugas irreparáveis.
Segredo dos vivos, assim, gota a gota se esvai, inexoravelmente.
Nosso companheiro e algoz – a dar-nos além da flacidez, os filhos; além da inocência, as palavras.
Tempo, ó deus dos deuses,
que testemunhas nossa irrisória passagem neste espaço-tempo; que a nenhum mortal curva-se em deleite ou piedade.
Tempo que dá feitio de homem e mulher às crianças e por todos nós passa ilesamente o mesmo.
Tempo que testemunhou a passagem da Antiga Roma e Atenas, de Sócrates e Platão, e que testemunhará outros, muitos outros que também virão.
Tempo justo, de minuto a minuto corre para nós o mesmo igual de partes e eras.
Tempo, eis-me aqui, com minhas veias encharcadas de ti! Eis-me aqui, testemunha da passagem das horas, as mesmas que destes a Villa-Lobos e a Lennon – 24 horas, segundo a segundo, mergulhada em ti.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS-UM-POUCO-VELHAS

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS “UM POUCO VELHAS” “Sujo atrás da orelha, Bigode de groselha, Calcinha um pouco velha Ela não tem” (Chico Buarque/Edu Lobo. Ciranda da Bailarina) A partir desses versinhos, lindamente interpretados por Adriana Partimpim (heterônimo da Adriana Calcanhoto para crianças), surgiu, numa roda de meninas-não-bailarinas, onde, felizmente, eu estava, um assunto que me chamou atenção. “Isto merece um texto!”. Ei-lo! A pergunta é a seguinte: o que fazer com calcinhas velhas? Daquelas mesmo que estás pensando nessa sua cabecinha, aquelas... que todas nós tivemos, temos e teremos, em algum momento da vida – se Deus quiser! Calcinhas um pouco velhas sempre estarão nas nossas gavetas. E como teremos rituais e alguma dificuldade para jogá-las fora! Conversa vai, conversa vem... fui ouvindo depoimentos tão curiosos que me arrepiei ao pensar no quanto estávamos desfrutando de tamanha intimidade naquele momento. Eu também tive a minha hora de confessar o que costumava fazer com ...

Eu me habito

••• Estive lá fora Mas Devagar e sempre Estou me ocupando No meu primeiro abrigo. Hoje eu moro em mim: Com minha alegria Com minha poesia Com tudo que sou eu. Não sou mais visita E nem permito a entrada do que me faz mal Eu respeito minhas portas E faço vigília das minhas janelas. Eu recebo o que embeleza minha casa O que alimenta minha casa. Eu sou minha própria casa E tenho aprendido a morar bem Eu me habito. Estou presente. (Sibéria de Menezes) 🍃❤🙏 #EuMoroEmMim #FiatLux #HajaLuz  #EuMeReparo #Gratidão #FaçaSuaPaz #VolteParaOSeuLar #VocêÉLuz  #EndurecerSemPerderATernura #EuMeHabito #HabiteSe

Corpo Alvejado

Quando uma flecha perfura um corpo Provoca duas dores: Uma quando atinge a carne, Outra quando retirada dela No intervalo das duas dores Há o silêncio daquilo que sangra Feito de agonia e medo Para sobreviver É necessário retirar a flecha Mesmo que doa Mesmo que sangre Mesmo que isso não seja garantia de vida Destaca a flecha Mune-te de coragem Atende ao instinto de viver Retira a flecha Que te paralisa Que te sufoca Que te faz temer os seus próprios movimentos Livra-te da agonia de viver entre quase-vivo e quase-morto Retira a flecha Cravada desde tanto tempo contra ti Não seja o corpo da flecha Não seja o corpo onde mora a flecha Seja teu próprio corpo Sem flecha Sem a dor do medo Coragem! Retira a flecha (CORPO ALVEJADO. Sibéria de Menezes) ❤📝 #LuzSobrePoesia #CorpoAlvejado #RetiraAFlecha #EndurecerSemPerderATernura