Pular para o conteúdo principal

"Está escuro demais para ver qualquer coisa"



"A toca do coelho era estreita como um túnel no começo e então se inclinava subitamente para baixo, tão subitamente que Alice não teve nem tempo de pensar em parar antes de ver-se caindo em um poço bem profundo.

Ou o poço era muito profundo, ou ela caiu muito lentamente, pois teve tempo o bastante enquanto caia para olhar ao seu redor e se perguntar o que aconteceria em seguida. Primeiro, tentou olhar para baixo e descobrir para onde estava indo, mas estava escuro demais para ver qualquer coisa.(... )

Caindo, caindo, caindo. A queda nunca chegaria ao fim?

(Alice no país das Maravilhas - Lewis Carroll - publicado em 1865)

______________

Uma das cenas mais populares da Literatura é esta, em que vemos Alice cair em um poço sem fundo. 

É assim que me sinto ao ver as notícias no nosso país (planeta Brasil). 
... Caindo caindo caindo... 

E maior do que o medo do fundo do poço, é o medo de que ele seja realmente sem fundo e que nos acostumemos à queda. 

É um medo aterrador de que deixemos de ficar espantados diante de tantos acontecimentos. 

Eu tenho medo de perguntar: mas... teria este buraco um fim? 

"Está escuro demais para ver qualquer coisa."

Sibéria de Menezes Carvalho 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS-UM-POUCO-VELHAS

LIVRANDO-SE DE CALCINHAS “UM POUCO VELHAS” “Sujo atrás da orelha, Bigode de groselha, Calcinha um pouco velha Ela não tem” (Chico Buarque/Edu Lobo. Ciranda da Bailarina) A partir desses versinhos, lindamente interpretados por Adriana Partimpim (heterônimo da Adriana Calcanhoto para crianças), surgiu, numa roda de meninas-não-bailarinas, onde, felizmente, eu estava, um assunto que me chamou atenção. “Isto merece um texto!”. Ei-lo! A pergunta é a seguinte: o que fazer com calcinhas velhas? Daquelas mesmo que estás pensando nessa sua cabecinha, aquelas... que todas nós tivemos, temos e teremos, em algum momento da vida – se Deus quiser! Calcinhas um pouco velhas sempre estarão nas nossas gavetas. E como teremos rituais e alguma dificuldade para jogá-las fora! Conversa vai, conversa vem... fui ouvindo depoimentos tão curiosos que me arrepiei ao pensar no quanto estávamos desfrutando de tamanha intimidade naquele momento. Eu também tive a minha hora de confessar o que costumava fazer com ...

Do it yourself

Há algum tempo venho insuspeitavelmente vivendo o "faça você mesmo" (interessante, pode ser entendido "faça a si mesmo"), é, pode ser. Mas, neste momento, tenho quase uma idéia fixa ("Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa!" - Brás Cubas). Pois é, tenho de admitir, tenho uma idéia fixa e não quase uma: Se você pensou - costurar - acertou! Quero aprender a costurar. E sei que vou. Falta-me pouco (rsrsrsrsrs) só fazer a matrícula num curso, comprar uma máquina de costura... ou seja, arranjar tempo e dinheiro para tanto. Mas é uma questão de... como eu diria... investimento! Não desses com retorno financeiro, mas com o seguinte retorno: Ouço pássaros cantando? Sinto borboletas nos meus ombros? Filho, é a sua cara! Que tal um café, amor? Umas roupitchas também, que não sou de ferro... Mas podes perguntar: E daí, por que não comprar isso tudo? Ou já supõe que estou querendo economizar... brincadeirinha! Mas a questão vai além disso. É carinho, é memória. ...

Infância

O texto abaixo é um trecho de uma carta que fiz ao meu filho Ulisses (5 anos) Ser mãe é sentir saudade de um tempo que sequer passou. É ficar imaginando você e Marina adultos e saber que criaremos e manteremos muitos cordões pela vida agora - nossos olhares, sorrisos, dizeres, silêncios, abraços, beijinhos... Somos tão agarrados e sei que sua infância correrá tão logo, que não consigo me irritar com a bagunça deixada pelos seus brinquedos no quarto, ou mesmo em cima da minha própria cama. A distância entre nós já foi tão pequena, que você morava na minha barriga (como sua irmã Marina agora), depois, o cordão umbilical, depois o corpo durinho que já sentava e, por isso, já não se entregava completamente ao meu colo... depois engatinhou e nossa distância era o próximo cômodo da casa - ainda assim: "-Mamãe, vem achar Ulisses!"... e, putz! - Caminhou e agora somos atados pelas mãos - nosso segundo cordão umbilical. Os cachinhos negros, assim como o rostinho redondo e bochechudo d...