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Escrita sobre os nove anos de Ulisses (Março de 2012)

Hoje faz nove anos meu príncipe submarino, o "grande, o super, o hiper, o extra, o incrível" Ulisses, meu filho. Presente vindo do Alto, de Deus. Há mais de nove anos preenche de um amor supremo meus dias tão efêmeros quanto etéreos, com so rrisos, entendimentos e outros presentes. Um amor que comemoro há mais de nove anos. Filho meu, Deus faça chover sobre ti todas as graças. E faça de mim a mãe que você(s) precisa(m) ter. Amo-te de um amor grande e quase indizível. Muito obrigada pela sua vinda. Parabéns!!!!

Para a princesa de "mamani" (Escrita sobre os três anos de Marina) em Abril de 2014

Acordei-me hoje com uns pezinhos barulhando pelo chão. Próximo à cama, a dona deles me pedia: "Mamãe, deixa eu ir pra tua barriga!". Marina fazia referência ao seu novo hábito: dormir debruçada sobre a minha bar riga. Hoje, no seu aniversário, ela presenteia-me com as primeiras palavras do dia, fazendo-me ter de novo a lembrança de que, há exatos três anos, ela não mora mais na minha barriga. Há três anos, essa pequena "ganhou o mundo". Há três anos a casa tem a alegria dobrada e meu coração também dobrou de tamanho. "My little Miss Sunshine" tem um jeito delicado de fazer cada coisa, um charme que se coloca a mais no mundo, no meu mundo. Ela não preenche minha vida, apenas, como uma mobília nova em casa, ela a ressignifica a cada instante: em que me abraça, em que põe as mãos no colo ou nos cabelos, ajeitando a linda cabeleira, em que sorri - e ela sorri sempre, em que me faz sonhar acordada que no castelo da minha vida vive, PARA SEMPRE, uma princesa. A...

Mire e veja

“O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.“ Guimarães Rosa   Mire e veja Se naquele lugar onde dói Existe uma dor. Pensa nela Esteja com ela Chora com ela E depois Mire e veja Ouça e sinta Descobre que há um medo Por dentro do medo Por trás do medo E no centro do medo. Quando achá-lo Se achá-lo, se é que é possível... O medo estará bem guardado Numa coisa à toa, por assim dizer E, por isso, em toda parte Mire e veja Não será limpo Será duro estar com ele Corre o risco de botar tudo a perder Role com ele pelo chão A luta é dura e sangrenta Rosne e morda Aja como um mau menino Esteja com ele por algum tempo E depois, Liberta-se dele Mata esse medo Que te dá olhos cansados E febre no coração Ateia fogo Ateia lágrimas E a...

Aula Inaugural do Curso de Redação 2014.1

A aula inaugural deste 2014.1 teve como tema "Interpretação de texto e delimitação temática". Aconteceu hoje no ESC Concursos e Vestibulares em Juazeiro do Norte. Aguarde divulgação da aula inaugural em Crato - Ceará.

Irretocável (Meu conto publicado na IV Coletânea de Contos SESC-Crato)

IRRETOCÁVEL Move-se para este lado, logo para o outro, na mesma medida. Era bom estar no centro. Sempre imaginara a vida e a vivera desta forma. Milímetro por milímetro, os quadros bem pousados nas paredes brancas de casa diziam mais do que queriam dizer. O equilíbrio é a única forma de felicidade. O que mais querer e esperar no alto da sua maturidade alcançada às custas de tanta disciplina? Bem. Rosa gabava-se disto a toda hora. De como a vida era equilibrada. Papai, mamãe, irmãozinhos, cachorrinho, galinhas e quintal. A imagem da infância emoldurada num monte Parnaso. Domingos de roupas bem engomadas, cabelos perfeitos, unhas bem aparadas; criança encaixotada entre o laço no cabelo e o brilho dos sapatos lustrados. Criança que não gripava, sequer transpirava, sempre pronta para dizer “as palavrinhas mágicas”: “Bom dia, boa tarde, boa noite, com licença, por favor, obrigada, blá-blá-blá... blá-blá-blá...”. No recreio da escola era só. Para não suar, filha, senão desmancha todo o ...

AS ÁRVORES DA VIDA

Porque há várias árvores na nossa estrada... Na escola onde eu trabalho há uma imensa árvore no quintal. Um pé de timbaúba. É outono e recebi uma chuva de folhas de presente dessa árvore. Que sensação deliciosa em todos os meus sentidos! Folhas miúdas rezavam graciosamente sobre a minha pele me protegendo de todos os perigos dessa vida. Por mais que aproveitasse o momento, e talvez por isso, não pude pensar o que me levou a sentir de maneira tão intensa aquela chuva. Passaram-se alguns dias e, de súbito, fui pega pela imagem relampejante das árvores da minha vida. Da infância, da mais precoce delas. Do pote de lembranças que muitas vezes me pergunto se é imaginação ou realidade, eis que me aparecem três árvores. A primeira, um pé de coco no quintal, depois dos três degraus da cozinha, ao lado da lavanderia. A segunda, um pé de oiti que não vimos crescer até o seu limite, que ficava em frente a minha casa, do outro lado da rua. A terceira, um pé de castanhola – alguém lembr...

Minha desordem mental

Minha cabeça não é muito boa. Ela me engana a qualquer deslize, a qualquer tempo em que preciso de juízo. Minha cabeça me faz passar vexames por não dar conta de que dia ou hora é hoje ou ontem ou amanhã. Ela não está preparada, e talvez nunca estará, para a vida prática, de ajuntamentos de informações e dados ou datas, sempre elas, as datas... a se desencontrar de mim. Nela, na minha cabeça, esqueci (ou esqueceram, não sei) de marcar os dias das coisas e, assim, me esforço quase heroicamente para responder que dia é hoje? Quando é tal dia? Quando foi o último feriado? Quando... quando... quando... é tanto quando interrogado na minha vida, que me dá uma agonia. Eu vivo num branco, aonde minha cabeça me levou e leva. Sem saber me preocupar que dia será o fim do mês, do gás, da luz, da água ou do telefone. Sou uma irresponsável sem causa e sem chance de cura, mas com sofrimento. Eu sofro quando a enxurrada me atinge em cheio, impiedosa vida que me cobra o que minha mente não alcança. Mi...