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Feliz aniversário, Marina

“Mamãe, olhas!”. Com essas palavras Marina me mostra o mundo ao meu redor, ao nosso redor. Um simples “olha”, para apontar as árvores, as pedras, os montes e os pássaros seria pouco, por isso, prefere dar ao olha um s final, como um plural, e me diz, muitas vezes: “Mamãe, olhas!”. E num instante, o cobertor que estava sobre tudo se desfaz e as cores vêm, junto a todos os outros sentidos: ouço tudo ... , vejo tudo, sinto tudo. O sentido é outro. Eu sou outra. Eu sou mãe dessa pequena. Coragem em miniatura pra compensar o corpo pequeno... ou seria o contrário? Um corpo pequeno pra disfarçar a braveza marinha, como seu nome? Mas hoje não quero saber, ou pelo menos não quero saber que sei. Quero sentir, que é a melhor forma de saber de alguma coisa. Quero sentir teus dois aninhos, que cabem nas pontas dos teus pequeninos dedos, querendo me apontar quanto já tens, sem ainda saber o que significa isto, forma mais linda de saber. Quero sentir que tocas meu mundo apontando o in...

INSPIRAÇÕES A 40º

Pequenas coisas que me fazem feliz nesse calor todo Por: Sibéria de Menezes Carvalho 1. Banho frio 2. Sorvete 3. Chuveirão com os filhos 4. Esfoliante 5. Hidratante 6. Vestidos 7. Shorts 8. Milk Shake 9. Ar-condicionado 10. Lavar o cabelo 11. Laranja e tangerina 12. Caminhadas ao ar livre 13. Água de coco bem gelada 14. Tudo gelado (rsrsrs) 15. Minhas crianças na piscina de plástico 16. Lugares gramados 17. Árvores 18. Amor e amigos (faça chuva ou faça sol) 19. Fazer as unhas 20. Calçada e varanda 21. Água água água e mais água 22. Andar descalça 23. Prender os cabelos 24. Música eletrônica 25. Abrir as janelas 26. Abrir a geladeira 27. Óculos escuros 28. Maiô novo 29. Cores vibrantes 30. Curtir minha preguiça...

UM SIM PARA/COM MEUS FILHOS

Por Sibéria de Menezes Carvalho Chegando em casa, minha Marina (1ano e 5 meses) respondeu a uma pergunta que eu fiz com um sim, balançando a cabecinha pra cima e pra baixo, com um alto grau de concentração e certeza do que estava dizendo – e, claro, com um esnobismo de quem sabe o quanto eu estava impressionada com aquilo. Bem, corujices de lado, fiquei reflexiva depois. Até agora só sabia a pequena dizer não: de formas variadas, até.  Pensei no quão é importante que os filhos aprendam, sempre, não só com a gente (os pais), mas com o mundo.  E fiquei me perguntando: por que só a ensinei a dizer não? Essa questão mexeu comigo. E é bom que mexa. O que mora em mim como indivíduo e como mãe que está tão preocupado em negar (ou se negar)? Óbvio que há os nãos fundamentais nessa fase: tomada, não; chão molhado, não; subir, não; botar na boca, não. Por outro lado, será nosso papel dizer não o tempo todo? Por que não atirar o controle remoto ao chão algumas vezes ao dia? P...

Um bolo feito em casa

Por: Sibéria de Menezes Carvalho Dia desses ouvi a expressão “um bolo em cima da mesa faz de uma casa um lar”. Depende. Depende do caminho que o bolo fez até chegar à mesa. Não desmerecendo as padarias maravilhosas de nossa preferência. Agora, um bolo feito no calor das nossas casas, a quatro, seis, oito mãos, é um bem precioso. É o encontro, a partilha, a comunhão. A cozinha é o termômetro das relações familiares e do coração. Pelo menos da minha é. Cozinha cheia é sinal de festa. Quente, aromática, cheia de cores. Quando vou cozinhar é porque estou bem. A alquimia verdadeira acontece nesse espaço: onde farinha, leite e outros ingredientes viram um bolo, viram carinho, expressão de amor e união. Sinto-me feliz quando meu filho, pequeno, junto a mim, conversa sobre a vida, o dia a dia, as suas aspirações; entre uma e outra pincelada de manteiga na forma. E me pergunta de que é feita a manteiga e de que são feitas as mães. Alegra-me a caçulinha ensaiando as primeir...

SOBRE A LUA

Por Sibéria de Menezes Carvalho Que dizer sobre ela? Sobre encantamento e mistério, sobre a sua face oculta? Estou a falar sobre a lua ou sobre o próprio gênero feminino? A lua e o feminino têm relação estreita. São noturnas, misteriosas e sempre carregam a outra face, aquela da qual nada se sabe e, por não sabê-la, o outro lado, aquele que realmente vemos, torna-se imediatamente suposição, areia movediça e incerteza. Envolta na noite, reluz entre as pequenas estrelas, majestosa. Tem fases, não é só uma. Multifacetada, seus raios influenciam os líquidos. Mares, oceanos e líquido amniótico voltam à lua obediência secular. Cor de leite, líquido precioso do qual sentimos o gosto do mundo pela primeira vez. Não aquece a pele, mas o coração. Dona das noites, deusa dos amantes, razão dos poetas, horóscopo dos loucos. Substantivo feminino. Namoradinha do Astro-rei. De prata. Notívaga. LUA.

"ESTÁ NA HORA DA HOMEOPATIA"

Por: Sibéria de Menezes Carvalho Ontem, no Teatro do SESC Crato, assisti à peça “Perdoa-me por me traíres”, texto de Nelson Rodrigues e deixemos outras localizações pra depois. A platéia, e eu também, que estava na platéia, riu algumas vezes em que a personagem da Tia Odete repetia: “Está na hora da homeopatia”. A personagem de uma frase só foi para mim a mais simbólica. Não sou muito boa em enumerações, mas, vamos lá. O primeiro ponto que há de justificar o meu estado de encantamento com tal personagem deve-se ao fato do semi-silêncio no qual ela apreende, compreende, depreende da vida. Todo o mundo pode ser dito naquelas poucas palavras que repete. O silêncio muitas vezes pode representar mais que palavras. Há momentos em que as palavras são demais, ou que nenhuma delas encontra razão de ser. A frase era um silêncio retumbante. Aquele em que se acha um jeito de anestesiar-se perante a realidade dura e/ou incompreensível. Naquele onde o conforto da existência estabelece-se de ...